Vote AI-5

“Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5”.

Essa é a declaração dada pelo deputado federal mais votado da história democrática brasileira, o (por enquanto) pesselista Eduardo Bolsonaro. A frase foi dita pelo parlamentar em entrevista transmitida pelo canal de Youtube da jornalista Leda Nagle no dia 31 de outubro, às 10h da manhã.

A defesa à uma ação institucional antidemocrática, inconstitucional, autoritária e obscurantista recebeu respostas em pouco tempo e repercutiu entre políticos, um jurista da Alta Corte, sociedade civil, ONGs, intelectuais e outros grupos.

Apesar das reações, o 03 da República, fritador de hambúrguer de Maine e recém líder do parquinho da Câmara não recuou. O pitbull do Planalto latiu nas redes sociais e, depois, nos brindou com uma desculpa pública que nada mais era que um recado a seus eleitores.

E me parece que esse é um dos fatores mais importantes da história. Ele diz duas coisas muito importantes em seu breve discurso.

Com a voz polida, enuncia o primeiro ponto: “nós, parlamentares, temos garantido na Constituição o direito à imunidade parlamentar por opiniões, palavras e votos. É imunidade não para roubar. É imunidade para falar”.

Traduzo: o roubo – ou seja, o que os Outros fizeram – é inaceitável. O que Eduardo fez na ocasião foi meramente usufruir do seu direito à liberdade de expressão, o que fez, ainda por cima, com tal maturidade que chegou a pedir desculpas caso tenha ofendido alguém com seu ponto de vista. A tradução também é possível pelo mote: “liberdade de expressão para mim e meus amigos acima de tudo, minha inconsequência acima de todos”.

Eduardo continua a frase e diz: “assim você conhece melhor o seu representante e vai ter a oportunidade de daqui a 4 anos de votar nele – ou de não votar nele. Assim é a nossa democracia”. O que faz dessa vez é apostar nas cartas do próprio baralho: take me as I am or watch me as I go, “Eduardo Bolsonaro, ame-o ou deixe-o”. Fala olho no olho do eleitor que ele não é como os outros políticos que se escondem por debaixo de uma teia de desonestidades.

O pitbull encrenqueiro se forja na figura do político que não tem medo de dizer o que pensa e aposta nisso para seu sucesso na política. Nos restará saber, primeiro, se a aposta está certa. Se estiver, a questão será compreender se o problema está na imagem que o filho do presidente cria de si ou se está no fato de que tantos brasileiros confiam nessa figura.

1 thought on “Vote AI-5

  1. Comentário extremamente perspicaz! Gostei do tom!

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